No mesmo momento em que o teatro renascia em Londres, os autores franceses lançavam sérias críticas à obra de Shakespeare.
Quando o classicismo invadiu os palcos ingleses, o teatro shakesperiano passou a ser enquadrado nas regras francesas: as cenas cômicas forma removidas das tragédias, por considerar-se que “violentavam" a unidade ação. Foto ao lado - Paris Comedie Francaise.
Luís XIV e a Academia Francesa converteram-se em árbritos absolutos da linguagem literária. Preocupados em restaurar os ideais clássicos greco-romanos, os dramaturgos franceses do século XVII, seguiram quase fielmente as regras estabelecidas pela Poética de Aristóteles. Mas sua obra, comparada à dos gregos, é repleta de artificialismo e arbitrariedade.
Um dos autores do teatro clássico francês mais prestigiado pela aristocracia e pelo própria Luís XIV, foi Jean Baptiste Molière (1622-1673). Desde cedo se interessou pelo teatro que estava muito na moda, principalmente depois de Luís XIII, a pedido de Richelieu (que também era apreciador desta arte), ter honrado a profissão de comediante com um código de moralidade.
Companhia de Teatro francesa
O primeiro teatro público francês surgiu em 1548, mas apenas no século 17 surgiram os mais célebres autores franceses dos tempos modernos: Corneille e Racine, que escreveram tragédias, e Molière, criador de adoráveis comédias. Como a platéia francesa era barulhenta e agitada, as peças tinham uma cena inicial para acalmar o público e impor o silêncio. Com o mesmo objetivo, Molière (imagem abaixo) criou três pancadas ou sinais, usados até hoje para avisar à platéia que o espetáculo vai começar.

Molière conquistou os salões porque não era um simples executante de trabalho manual, a cujo respeito a nobreza nutria seu mais antigo preconceito, mas colocava em cena heróis que reagiam com empenho diante um problema - em O Tartufo,diante da religião; em Don Juan, diante do amor; em O Misantropo, diante da sociedade. Suas peças continham mais verdade do que seria desejável.
Em 17 de janeiro de 1673, enquanto representava no palco o protagonista de sua última obra, Le Malade imaginaire (O doente imaginário), Molière sofreu um repentino colapso e morreu poucas horas depois, em sua casa de Paris. Como se assinalou com freqüência, não é de estranhar que o mestre do duplo sentido e da dissimulação tenha encerrado a vida e a carreira no momento em que encarnava um falso doente.